
Sempre fui muito ligado à religião, tanto pela influência da família como pela minha participação em movimentos da igreja. Sou católico atuante e respeito o ecumenismo. Venho acompanhando e estudando os conceitos de web colaborativa há algum tempo, e não achei que toparia com um cruzamento tão claro da minha religião com o meu trabalho/estudo.
Certa vez li um um artigo sobre webart em que na introdução havia um trecho que falava sobre a possibilidade da era da imanência, sem hierarquias, acontecer na internet. Nesse cenário sem hierarquias, não havia então o topo máximo das hierarquias, que segundo o cristianismo é Deus. Apresentei um artigo de iniciação científica sobre webart e coloquei esse ponto na apresentação. Fui questionado por um pastor que rebateu meu argumento dizendo que existiam hierarquias na internet e cada indivíduo conectado transporta à rede, ao virtual, senão toda, pelo menos parte da sua identidade e das experiências reais, onde Deus continua existindo na internet.
A questão é: as palavras do pastor fazem sentido, principalmente hoje.
Vou puxar um exemplo prático: a Canção Nova. Com certeza há toda uma história por trás da proposta, do surgimento, da instalação na Cachoeira Paulista, da construção do rincão... mas eu chamo atenção para a sua comunicação.
Um dia minha mãe comentou que ia assistir a canção nova pela internet e me doeu no coração ter que falar '_Mãe, não tem como'. Mais tarde eu conheci o website da Canção Nova e pude observar que além da WebTV (ao vivo), existiam ainda: web-radio (ao vivo), espaço no second life, chat, blogs, rede social da própria canção nova e comunidades no orkut, além de outros recursos numa estrutura multilíngue. Fiquei boquiaberto, pensei: 'Se existe esse tamanho de oferta, é porque existe demanda'. E assistindo a própria tv (que pega melhor do que qualquer outro canal aberto por estas bandas) vi uma espécie de Departamento/Grupo de Pesquisa & Desenvolvimento elaborando novos produtos de comunicação para a Canção Nova na internet.
Toda essa estratégia de presença acompanhada de um trabalho de identidade visual, considerávelmente bom, permite que a marca desbrave uma evangelização via internet, de uma forma mais agradável, eficaz e eficiente do que os powerpoints religiosos que lotam nossas caixas de emails.
Inicialmente, eu subestimei os fiéis do cristianismo, mesmo sendo um, na propagação da mensagem via web. Lendo o livro do Henry Jenkins, Cultura da Convergência, observando e participando desse fenômeno, passa a fazer cada vez mais sentido palavras como comunidade, coletividade, colaboração e conhecimento.
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